A Netflix tem um catálogo bem interessante de produções LGBTQs, muitas delas de Originais da plataforma, além de sempre trazer um personagem nas suas narrativas. Destacamos aqui alguns filmes e séries excelentes que abordam a diversidade sexual e extrapola os estereótipo de narrativas do gênero.

Carol

Começamos com o filme que recebeu seis indicações ao Oscar de 2016, e foi eleito o melhor filme LGBT de todos os tempos, pelo Britsh Film Institute. Carol estava em desenvolvimento há mais de 11 anos nas produtoras britânicas, e conta a história de Carol Aird (Cate Blanchett) e Therese Belivet (Rooney Mara), que se conhecem por acaso em uma loja de departamentos. A história é situada na Nova York dos anos 1950, com todos os preconceitos e ignorâncias da época em relação ao universo homossexual. Um período onde sair do armário era considerado uma imoralidade absoluta, ainda mais se você tem uma filha, como é o caso de Carol. Em uma realidade tão difícil de ser quem você realmente é, o único meio de se proteger da fúria alheia é camuflar os sentimentos, de forma que apenas os mais perspicazes possam realmente decifrá-los. É este o mundo em que Carol vive, é este o mundo para o qual Therese é atraída. O catálogo na Netflix ainda deixa a desejar em produções com protagonistas lésbicas, mas essa é uma ótima indicação.

XXY

Com direção de Lucia  Puenzo, o filme conta a história de Alex (Inés Efron), que nasceu com ambas as características sexuais. Tentando fugir dos médicos que desejam corrigir a ambiguidade genital da criança, seus pais a levam para um vilarejo no Uruguai. Eles estão convencidos de que uma cirurgia deste tipo seria uma violência ao corpo de Alex e, com isso, vivem isolados numa casa nas dunas. Até que, um dia, a família recebe a visita de um casal de amigos, que leva consigo o filho adolescente. É quando Alex, que está com 15 anos, e o jovem, de 16, sentem-se atraídos um pelo outro. XXY foi indicado como representante da Argentina para o Oscar de melhor filme estrangeiro.

Alex Strangelove

Bem no estilo ‘Com Amor, Simon’, Alex Strangelove é uma comédia romântica teen gay sobre primeiro amor. Apresenta o mundo do ensino médio e os dramas da adolescência como perda da virgindade, descoberta da sexualidade, orientações sexuais e identidades de gênero de maneira bastante atual e ainda pouco explorada por produções do tipo até hoje. O filme é produzido por Ben Stiller e dirigido por Craig Johnson, e conta com Daniel Doheny (de Supernatural e HumanTown), Madeline WeinsteinJoanna AdlerAntonio Marziale e William Ragsdale, no elenco.

Meu Melhor Amigo

O filme argentino, conta a improvável amizade entre Caíto, um enigmático adolescente rufião, e Lorenzo, um adolescente com um sentido excessivo de responsabilidade e um medo enorme de estar sozinho. Situado em uma pequena cidade na Patagônia  (ARG), a história começa quando a vida da família na casa de Lorenzo é alterada depois de concordar em assumir por um tempo Caíto, o filho de um amigo que está enfrentando alguns problemas em casa. Seguindo essa convivência forçada, Lorenzo vai ser forçado a cuidar do novo hóspede, enquanto que, se envolver em sua loucura vai acabar entrando no ríspido e às vezes desconcertante caminho da auto-descoberta.

Handsome Devil

O filme é uma comédia dramática onde trata da inesperada amizade dos problemáticos Ned e Connor, que são o oposto de uma mesma moeda, onde Connor é um introvertido jogador de rugby que muda de escola após se envolver em constantes brigas com seus colegas, e Ned um excêntrico nerd que não se sente nem um pouco incluso em uma escola onde hugby é a “religião”, “religião” essa que ele de fato não segue. Mas a realidade dos dois muda de forma catastrófica quando passam a dividir o mesmo quarto e um segredo que pode ser avassalador. O filme trata com delicadeza assuntos como a homofobia nas escolas e a exclusão do diferente ao mesmo tempo que nos passa uma lição sobre amizade, união e faz o telespectador pensar. O filme irlandês de 2016, realizado e escrito por John Butler, e protagonizado por Fionn O’Shea e Nicholas Galitzine.

Meu Nome é Ray

Com direção de Gaby Dellal, o filme narra a história de Ray, um garoto trans, que nasceu biologicamente ‘mulher’, mas nunca se identificou com o gênero e se prepara para fazer a cirurgia de redesignação sexual. Sua mãe, Maggie, tenta encontrar a melhor forma de lidar com a questão, mas a avó homossexual de Ray, Dolly, recusa-se a aceitar a resolução e inicia um conflito familiar.

King Cobra

Dirigido por Justin Kelly, o filme é baseado na biografia de Brent Corrigan, escrita por Andrew E. Stoner e Peter A. Conway, e estrelado por Garrett Clayton e Christian Slater. Narra os bastidores da indústria pornográfica e a disputa entre produtores. Para além das inúmeras cenas de fortões seminus, há uma história até mesmo interessante.

Dream Boat

Esse é na verdade um documentário, que acompanha o Dream Boat (Barco dos sonhos, em tradução livre), que uma vez por ano parte em uma viagem marítima pela costa do Mediterrâneo. É o único cruzeiro para homens homossexuais na Europa, com mais de 2.500 passageiros aguardando sua partida. Entre eles estão cinco homens de diferentes países que escapam das suas vidas cotidianas, longe de restrições familiares e políticas. Eles parecem ter encontrado o paraíso, até que suas histórias pessoais vêm à tona e o processo de auto-aceitação começa. Ótima indicação!

Please Like Me

Série maravilhosa que precisa ser descoberta pela comunidade LGBTQ. Aqui o protagonista Josh Thomas, é gay e a trama explora problemas diversos, com tom humorístico, sem cair no lugar comum das comédias gays, aliás, a sexualidade do personagem principal é uma das partes do enredo, que ainda explora os problemas psicológicos da mãe, e os relacionamentos líquidos “da modernidade”.

Sex Education

Uma das séries queridinhas do público em 2019, Sex Education foi um dos maiores acertos da Netflix. Segue a vida de Otis, um garoto virgem do ensino médio, socialmente desajeitado que vive com sua mãe, uma terapeuta sexual. Ele se junta a Maeve, que é inteligente e esperta, “para montar uma clínica para lidar com os problemas estranhos e maravilhosos de seus colegas estudantes.”

A série ainda traz Eric, amigo de Otis, um dos personagens mais incríveis da série. E lógico que também tem sexo, muito sexo. Sexo adolescente, desajeitado, às vezes constrangedor, sexo que não dá certo, sexo que inesperadamente dá certo, sexo no carro, sexo na escola. Tem gente querendo transar e não conseguindo, gente não querendo transar, gente saindo do armário, gente se descobrindo, gente se revelando, gente tentando se masturbar, gente se masturbando bastante. Enfim, vale muito a pena assistir!

Queer Eyer

A série é no estilo reality, e na verdade é um reboot da série Queer Eye for the Straight Guy, mas agora apresentando um novo grupo Fab Five: Antoni Porowski, especialista em comida e vinho; Tan France, especialista em moda; Karamo Brown, especialista em cultura; Bobby Berk, especialista em design; e Jonathan Van Ness, especialista em cuidados pessoais, que tem como “missão” ajudar as pessoas.

Na versão anterior, eles ajudavam apenas homens héteros, mas nessa versão há de tudo um pouco. Homens e mulheres heterossexuais que precisam de ajuda a superar questões pessoais e profissionais; homens e mulheres homossexuais e também transexuais. A série já conta com três temporadas, e em 2018 foi indicada ao Emmy Awards e neste ano ganhou um GLAAD Media AwArds (maior premiação LGBTQ).

Special

Baseada no livro de memórias I’m Special: And Other Lies We Tell Ourselves (2015) de Ryan O’Connell, que também estrela, escreve e atua como produtor executivo na série, Special é um breve presente para os espectadores. Breve porque a série conta com apenas oito episódios de menos de 15 minutos.

A trama gira em torno de Ryan, que é gay e tem paralisia cerebral, e decide (re)começar sua vida e fazer tudo aquilo que sempre desejou, mas adiava, como conquistar o primeiro emprego, morar sozinho e longe da mãe – controladora – e começar um relacionamento amoroso. Roteiro cativante, leve e engraçado e personagens primorosos, como Kim, sua colega de trabalho, uma jornalista independente, que conquista o público ao mostrar suas fragilidades, fragilidades estas que praticamente todas as pessoas sentem diariamente.

Super Drags

Pra encerrar esta lista, não poderia deixar de citar a primeira animação brasileira do catálogo. Super Drags é uma criação de Anderson Mahanski, Fernando Mendonça e Paulo Lescaut. Acompanha as aventuras de Patrick, Donizete e Ralph, amigos que trabalham em uma loja de departamentos e se tornam três heroínas drags para salvar o mundo do mal.

Lemon Chiffon, Scarlet Carmesim e Safira Cyan, as “Super Drags”, protegem o highlight, a “energia vital das gays”, da maléfica drag Lady Elza. A série conta com as vozes-originais de Pabllo Vittar, Wagner FollareSérgio Cantú, Fernando MendonçaGuilherme Briggs. Na versão americana, a dublagem conta com as vozes das famosas drag queens Trixie MattelGinger MinjWillam Belli e Shangela Laquifa Wadley.

A série teve uma conturbada recepção. Mesmo com uma grande divulgação por parte da Netflix, de que a série é um conteúdo adulto, ela foi cancelada após uma temporada de cinco episódios. Mas com certeza vale muito a pena conhecer!

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