A 70ª edição do Salão de Abril, em Fortaleza (CE), teve todas as suas obras transferidas, após o Centro Cultural Banco do Nordeste ser acusado de censura e homofobia.

No início da semana, foi retirada do prédio, uma faixa que fazia parte da instalação “O que pode um casamento (gay)”, dos artistas Eduardo Bruno e Waldírio Castro, sem autorização dos artistas, nem da curadoria da mostra. Em repúdio à ação, os artistas pediram que toda a instalação do espaço fosse retirada e denunciaram o ato nas redes sociais.

Um dia após a polêmica, o gerente executivo do Centro Cultural Banco do Nordeste em Fortaleza, Gildomar Marinho, foi afastado do cargo. Ele ainda ocupa o cargo de gerência em outro setor vinculado ao Banco do Nordeste, mas foi transferido para gerência da célula de cultura do BNB, que promove eventos patrocinados pelo banco, e não tem relação com o centro cultural onde ocorreu a exposição.

Os outros artistas que também haviam sido selecionados para a mostra decidiram nesta quarta-feira (29), que também iriam retirar suas obras do espaço, que agora serão apresentadas no Centro Cultural Belchior, na Praia de Iracema, com uma nova estreia marcada para a próxima quarta-feira (5).

De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura de Fortaleza (Secultfor), a mudança foi acordada com os artistas e representantes da pasta e do Instituto Iracema, que organizam a mostra.

Eduardo Bruno, um dos autores da instalação “O que pode um casamento (gay)?”, entende a decisão dos outros artistas como uma acolhida ao protesto iniciado por ele. “É importante dizer que a gente não está sendo contra o Centro Cultural, mas sim a essa censura que está atrelada ao que o governo acredita e implementa”, completa.

O G1 entrou em contato com o Banco do Nordeste via assessoria de comunicação, mas as ligações não foram atendidas.

Protesto

A exposição “O que pode um casamento (gay)?” acontecia junto a uma série de performances de autoria dos artistas que decidiram transformar o próprio casamento em uma obra. Entre os trabalhos, havia uma faixa que dizia “Em terra de homofóbicos casamento gay é arte”. O material foi instalado na fachada do centro cultural e foi retirado sem o consentimento dos autores e da curadoria do evento.

“Não faz sentido manter toda a obra em local onde parte dela foi violada. Pra gente, isso é uma violência, um ato de censura”, afirma Eduardo Bruno, que classifica um caso de homofobia. “Eu não consigo ver outra justificativa para isso. Me pergunto se existe outra justificativa”, diz.

O ato do centro cultural foi alvo de críticas, a deputada federal Áurea Carolina (PSOL-MG), cobrou oficialmente esclarecimentos ao presidente do Banco do Nordeste, Romildo Rolim.

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