O caminho para as pessoas LGBTQs poderem expressar sua sexualidade de forma natural no ambiente do trabalho vem sendo traçado, apoiado pelas ideias da diversidade e pluralidade. Em entrevista para o Zero Hora, Filipe Roloff, eleito um dos 50 futuros líderes LGBTs mais importantes do mundo pelo jornal britânico Financial Times, falou sobre a necessidade das empresas se adaptarem às novas demandas, e que ações afirmativas trazem resultados práticos para todos: funcionários, empresários e clientes.

Roloff é bacharel em Comércio Exterior e lidera o Pride@SAP Brasil, grupo que atua para tornar a companhia nacionalmente mais amigável a funcionários LGBTs, um grupo de colaboradores aliados à causa LGBT que, unidos, buscam criar uma cultura inclusiva na empresa. “Criamos iniciativas de afirmação para quem é LGBT e para que todos entendam que a diversidade não é um problema, mas uma solução, porque traz produtividade e cria relação afetiva com a empresa”.

Para ele, está comprovado os benefícios de se valorizar a diversidade sexual, de gênero e racial em uma empresa. “Pessoas que criam um laço afetivo com a empresa produzem mais e são mais felizes”, diz. “Não há como criar um ambiente inovador sem respeitar as diferenças. Esse é um problema na política brasileira: não temos a representatividade necessária para resolver os problemas de toda a população, que é diversa”.

Realidade brasileira

Trabalhar essas demandas no Brasil tem sido um desafio, por ser o país de que mais mata LGBTQs no mundo, e um dos que tem menos ações afirmativas governamentais para diminuir o preconceito institucionalizado. “Em um país no qual as pessoas não sentem que fazem parte da coletividade, elas também não se sentem capazes de contribuir com níveis superiores de trabalho”.

Apesar das mudanças, 61% dos brasileiros não saíram do armário no ambiente de trabalho, mesmo quando são abertos sobre sua sexualidade fora dali, conforme divulgado pela pesquisa divulgada em 2017 pelo Center for Talent Innovation. E ainda são poucas as companhias brasileiras que fazem parte do Fórum de Empresas e Direitos LGBT.

“Empresas brasileiras vivem só a realidade nacional e não sabem como ser diferentes nesse aspecto, o que não é o caso das multinacionais. As empresas estrangeiras trouxeram líderes de fora mostrando como determinada ação pode ser benéfica. É o papel das multinacionais, desses grupos de diversidade e de pessoas que vivem essa realidade mostrar às empresas nacionais o quão benéfico para todos é abraçar a diferença”, esclarece Roloff.

Movimento global

O mercado está mudando. Hoje há o Fórum de Empresas e Direitos LGBT, fundado em 2013, que conta com grandes companhias comprometidas em melhorar a diversidade. “O fórum e os grupos de diversidade que se formam para discutir o assunto são uma forma de mostrar ao mercado que as coisas estão mudando e que não basta só trazer as pessoas para dentro da empresa ou dar espaço para trabalho: é preciso dar significado a esse trabalho. A nova geração quer trabalho com propósito”.

Os resultados de trabalhos como esse – para os trabalhadores e as próprias empresas – são confirmados por pesquisas: levantamento feito em 2015 pela consultoria McKinsey and Company, com 350 grandes empresas da América do Norte, América Latina e Reino Unido mostrou que as instituições com maior diversidade de gênero e raça obtinham 35% a mais de retorno do que suas concorrentes.

Mas Roloff chama a atenção para as empresas que criam um modelo de visibilidade que privilegia apenas uma parcela da população LGBTQ. “Quando você foca só em homens gays brancos de classe média – o chamado pink money –, você também invisibiliza a população que não está no mercado de trabalho por causa do preconceito”, explica. “É nossa responsabilidade trazer visibilidade a quem é marginalizado”.

“Seja como for, se não se apostar na diversidade, fica-se para trás. A mensagem é essa: as empresas que não se prepararem para essa realidade ficarão para trás. Se usamos a inovação como mindset inclusivo, pensando na sustentabilidade das relações, temos tudo para dar certo”, conclui Roloff.

Com informações do Zero Hora | Foto: André Ávila, Agencia RBS.


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