Por Renan Wilbert*

Decidi fazer este texto de forma bem pessoal. Como jornalista recém formado, não dá para não levar minha profissão de forma diferente. E é justamente por isso que, ao ver algum LGBT lutando, se destacando e prosperando naquilo que escolhi fazer da minha vida me enche de orgulho, vontade e alegria. Separei, então, nove nomes. Alguns vocês conhecem bem, alguns vocês precisam conhecer melhor e outros ainda vocês precisam ao menos saber seus nomes.

1 – LEÃO LOBO

Não sou fã de jornalismo de celebridades e, mesmo sendo uma demanda do público, acho que o atendimento a essa demanda não é saudável para as pessoas. Porém, preciso tirar meu chapéu e enaltecer essa figura que está há 34 anos ininterruptos atuando na televisão, sendo uma referência absoluta no meio que escolheu trabalhar. A carreira jornalística de Leão Logo, que tem 64 anos, começou em 1974, no Jornal do Bairro, de São Paulo. Em impressos, também trabalhou no Jornal da Tarde e na Folha. Na televisão, esteve na TV Gazeta, Band, CNT, Record e, atualmente, no SBT. A carreira de Leão também não o impediu de se assumir homossexual numa época em que pouco se falava em homofobia e de militar em favor de LGBTs.

2 – JEAN WYLLYS

Deputado desde 2010, muita gente acredita que Jean Wyllys apenas ingressou na política aproveitando sua fama da quinta edição do BBB. Porém, o currículo deste baiano é impressionante. Jean é formado em comunicação social e tem mestrado em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia. Já trabalhou como repórter para o programa Mais Você e lançou quatro livros. Além disso, Jean assumiu uma posição fundamental no jornalismo brasileiro: A formação de novos profissional. O psolista é professor de Cultura Brasileira e Teoria da Comunicação na ESPM e na UVA, ambas universidades do Rio de Janeiro. Abertamente homossexual, Jean sempre levantou as bandeiras das minorias em todos os espaços que conseguiu ocupar, o que sempre faz muita gente torcer o nariz.

3 – FERNANDA GENTIL

A apresentadora do Esporte Espetacular da Rede Globo Fernanda Gentil assumiu um relacionamento com a também jornalista Priscila Montandon em 2016. Formada pela PUC-RJ, Gentil escolheu trilhar sua carreira numa área dominada por homens, o jornalismo esportivo, e com seu jeito despojado, porém profissional, conquistou o público e os colegas. Trabalhou na TV Esporte Interativo e depois no SPORTV antes de ir para sua atual emissora, onde passou a cobrir e comentar os principais campeonatos de futebol do mundo. Em 2015, abriu sua intimidade e acompanhamos sua gestação no quadro ‘Mamãe Gentil’ do Esporte Espetacular, que mostrava como mulheres grávidas poderiam manter suas atividades físicas. Desde 2017, Fernanda também integra o time da Rádio Globo. Ela também lançou o livro “Gentil como a gente” pela editora Intrínseca. Mesmo com todo o seu trabalho e cercada de machismo e lesbofobia por todos os lados, Fernanda não se furta de opinar e lutar contra as opressões que mulheres e LGBTs sofrem na sociedade. Recentemente, ela participou do vídeo da campanha #DeixaElaTrabalhar, em apoio às mulheres do jornalismo esportivo.

4 – ANDERSON COOPER

Esse cara tem uma fala que foi a epígrafe do meu TCC: “Eu acredito que ser gay é uma benção e não há um só dia que eu não seja grato por isso”. O novaiorquino de 50 anos já recebeu um Emmy na categoria jornalismo e apresentou importantes programas da televisão norte-americana, como o “60 Minutes”. Atualmente, é o principal âncora do jornalístico Anderson Cooper 360º. Ativo na profissão desde 1990, Cooper se assumiu em 2012, é casado e uma das pessoas que aconselhou Tim Cook, diretor da Apple, a se assumir em 2014.

5 – PEDRO FIGUEIREDO

Nesta lista, talvez seja Pedro Figueiredo a pessoa com quem eu mais me identifique. Temos idades próximas e, por isso, acredito que ele é uma referência na nossa geração de jornalistas LGBTs. Pedro trabalha como repórter para os jornais da Rede Globo, especialmente os do Rio de Janeiro, mas costuma fazer reportagens e links ao vivo nos noticiários nacionais da emissora. Em 2017, Pedro estava de férias com seu namorado, o também jornalista Erick Rianelli, em Barcelona quando aconteceu um atentado terrorista. Na ocasião, o repórter interrompeu seu descanso para entrar ao vivo nos telejornais da Globo e da GloboNews, dando as informações diretamente do local do ocorrido. Pedro é uma das grandes promessas das próximas gerações do jornalismo da emissora.

6 – WILSON PINHEIRO

Wilson é meu amigo pessoal e a história dele é muito bacana. Como muitos de nós, jornalistas, ele sonhava em trabalhar na Rede Globo. Chegar lá no prédio que fica no bairro do Jardim Botânico e informar as pessoas. Para alcançar seu sonho, ele trabalhou em impressos, rádios e, principalmente, televisões de todo o país, onde chegou até o cargo de editor chefe de um telejornal. Todo esse caminho, porém, foi muito custoso e Wilson percebeu estar perdendo muito de sua vida pessoal. De volta ao Rio, ele encontrou seu novo sonho e criou a Comunicação Colorida, um coletivo de jornalistas LGBT independentes que fala não apenas de questões de gênero e sexualidade, mas de política, sociedade e tudo o que puder interessar à comunidade.

7 – FELIPE MARTINS

Formado pela FACHA, Felipe Martins focou sua carreira no jornalismo impresso e online, trabalhando no O Povo, Folha, UOL e IG. No jornal O Dia, do Rio de Janeiro, chegou a ter uma coluna fixa, o Blog LGBT, que trazia notícias sobre a comunidade. Em 2017, trabalhamos juntos em vários vídeos do canal Valetes. Desde o ano passado, se dedica ao projeto Rio Gay Life (para o qual já fiz matérias e traduções), único guia de turismo LGBT do Rio de Janeiro, que também conta com um blog e uma página no Facebook.

8 – BARBARA GANCIA

Assumidamente em um relacionamento com uma mulher, Barbara Gancia esteve por anos integrando o time do “Saia Justa”, programa de debates do canal a cabo GNT. Mas não foi apenas naquele sofá que a jornalista teve destaque. Bárbara também teve colunas sobre animais domésticos, golfe e comportamento nas revistas RSVP e Vogue RG, além de uma coluna na Folha de S Paulo até 2016. No rádio, ela teve sua própria coluna na BandNews FM e teve seu próprio programa em um canal a cabo, o Invasões Bárbaras, no BandSports. Barbara é paulista e tem 60 anos.

9 – LEONORA ÁQUILLA

Mineira nascia em Teófilo Otoni, Leonora mudou-se com a família para São Paulo ainda criança, onde se formou em jornalismo pela Anhembi Morumbi e se pós-graduou em jornalismo político pela PUC-SP. Com uma atuação jornalística mais voltada para o entretenimento, Leonora trabalhou na RedeTV! e na Record. Foi ela a repórter que entrevistou Claudia Leitte e seu marido, ainda na gestação do primeiro filho do casal, no qual ambos deram declarações polêmicas. Leo é assumidamente transexual, mãe de dois filhos e casada desde 2016 com o professor de artes marciais Chico Campadello. Ela chegou a se candidatar para cargos públicos quatro vezes, três para deputada estadual de São Paulo e uma para vereadora, não sendo eleita em nenhuma delas. Em 2006, porém, obteve um número bastante expressivo de votos: 21.778. E, por viver no país que mais mata transexuais – cuja expectativa de vida é de 35 anos – e que 90% das mulheres trans trabalham na prostituição, ser uma jornalista trans de 47 anos na profissão desde 2001 já é algo para inspirar muita gente.

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*Renan Wilbert é jornalista, criador da página Igreja de Santa Cher na Terra.

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