O sonho de concluir uma graduação, de estudar medicina em uma das melhores universidade públicas do país, quase virou um pesadelo para Gustavo Henrique Amorim. Agora graduado, ele fez um desabafo no Facebook, onde escancara o preconceito e a intolerância dentro da academia.

No texto, o jovem conta os abusos que presenciou e como cada ofensa minava sua autoestima e de seus colegas. “Não se ensina na Faculdade de Medicina que o preconceito adoece. Que o preconceito mata. Que o preconceito acaba com vidas.”

Ele conta que ouvia de seus professores frases de ódio e humilhações constantes, como “viado não pode fazer urologia”, ”viado faz toque retal sem luva”, “essas bixa dão o cu e depois vem reclamar que pega HIV”, e chegou até mesmo a receber um conselho para se conter na enfermaria, por ser “muito afeminado”.

“A falta de pertencimento e a exclusão trouxeram-me a depressão e a ansiedade. Quantas vezes pensei em desistir do que mais amava porque não era bem vindo? Quantas vezes chorei nos corredores, no colo dos amigos, no telefone com a família… A minha maior conquista se transformou na minha doença. E ironicamente quem foram os principais responsáveis pelo meu adoecimento? Pessoas que curam. Pessoas que deveriam curar”, conta.

O estudante fala também como a morte de Diego Vieira Machado, em 2016, afetou a vida das pessoas LGBTQs da universidade, depois de várias ameaças escritas em pichações dentro do campus. “O sangue de Diego escorre nas mãos de muitos de meus professores e colegas. Esse sangue poderia ser meu ou de qualquer uma das minhas manas já cansadas de tanto botar a cara no sol.”

O texto de Gustavo já foi compartilhado por mais de 3 mil pessoas, e conta com mais de 15 mil curtidas, além de inúmeros comentários parabenizando pela coragem de se expor e por ter conseguido enfrentar o preconceito, e muitas mensagens de pessoas que passam pelos mesmos problemas na universidade. Leia o relato completo:

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