Na última sexta-feira (29), a cidade de Uiraúna, no sertão da Paraíba, foi palco de uma apresentação contra a homofobia que vêm gerado diversas reações na internet. A atividade tinha como objetivo discutir a diversidade e marcar posição contra a liminar do juiz federal que abriu brechas para as terapias de reversão sexual (‘cura gay’).

Enquanto cerca de 15 estudantes dão as mãos em um semicírculo, outro aluno comanda o ato. “Eu sou a cura. Nós somos a cura. Somos muito mais do que isso”, diz ele. Duas adolescentes ficam ao centro do palco, com a bandeira do arco-íris nas mãos. Ao fim da apresentação, as alunas se beijam e pedem respeito, enquanto todos aplaudem o ato.

A repercussão das imagens da apresentação dos alunos do 1º ano do Ensino Médio ultrapassou os limites da cidade, e alguns políticos conservadores chegaram a pedir intervenção do Ministério Público, de tão incomodados com o ato de resistência dos alunos da Escola Estadual José Duarte Filho.

Nada de errado

Em nota, a Escola afirma não ter a intenção de expor ou incentivar entre os alunos a “prática homossexual” (sic), mas sim “promover o respeito a todas as pessoas independente do sexo, raça ou religião para que a sociedade possa promover o respeito e a equidade de direitos”.

A instituição alegou ainda que o beijo foi espontâneo, sem a autorização da professora e da direção da escola. “A aluna foi advertida pelo referido ocorrido, no entanto a escola permanece alheia ao posicionamento da família, pois não consideramos a intervenção do Conselho Tutelar como a presença dos pais ou responsáveis”, justifica a escola.

Veja também:

Homofobia e educação

A pauta sobre a educação pela diversidade no Brasil tem sido a mais atacada pelos movimentos conservadores e corriqueiramente é distorcida por interesses de grupos religiosos no que ficou conhecido como bancada evangélica ou bancada da bíblia no Congresso Nacional.

Como ainda não é tipificada como crime de ódio, a homofobia segue sem um registro específico, ficando a cargo de ONGs contabilizar os casos e promover relatórios nacionais e internacionais. Nesse contexto, a educação é vista por muitos estudiosos, como uma das principais armas contra o preconceito e a discriminação.

Segundo a pesquisa Juventudes na Escola, Sentidos e Buscas, realizada em vários estados do país, um dos principais preconceitos sofridos na escola é a LGBTfobia, em especial a transfobia e a homofobia. “O que percebemos é que esse número é tão alto quanto na primeira pesquisa em 2004″, diz a socióloga Miriam Abramovay, coordenadora da pesquisa.

Mais 8 mil estudantes na faixa de 15 a 29 anos foram ouvidos. Entre os entrevistados, 7,1% não queria ter travestis como colegas de classe. Homossexuais (5,3%), transexuais (4,4%) e transgêneros (2,5%) também aparecem na lista dos rejeitados por parte dos jovens ouvidos na pesquisa.

No total, 19,3% dos alunos de escola pública não gostariam de ter um colega de classe travesti, homossexual, transexual ou transgênero. O grupo só fica atrás de bagunceiros (41,4%) e ‘puxa-saco’ dos professores (27,8%).

Com informação da Gazeta do Povo.

Related Posts

Comentários

Comentário