Neste domingo, a Alemanha assistiu ao primeira casamento homoafetivo do país. O casal Karl Kreile e Bodo Mende casaram em Berlim, depois que a nova lei permitindo o casamento civil igualitário e a adoção por casais do mesmo gênero entrou em vigor.

As medidas aconteceram sem grandes sobressaltos no país, já que a maior parte da sociedade e da classe política concordava com ambas. “Foi um cálculo político. Obrigado, mas está 25 anos atrasado”, lamenta Mende.

“Isso não muda muito a situação para nós, porque não vamos adotar uma criança, mas é altamente simbólico: agora somos um casal como os demais”, explicou com um sorriso no rosto e uma taça de champanhe na mão Kreile, de 59 anos.

“É um belo passo à frente, mas o Estado deve continuar a luta contra a homofobia e a transfobia também, em nível internacional, trabalhar pelo fim da criminalização da homossexualidade”, afirmou o marido Mende, após provar uma fatia de bolo de arco-íris, símbolo da bandeira LGBT.

O casal, que há anos milita pelo casamento gay, foi um dos primeiros a assinar um contrato de união civil, em 2002.

“Estou encantado de a nossa cidade receber uma das primeiras uniões homossexuais para o que, além dos debates abstratos, é uma medida igualitária: o que está em jogo é a felicidade de pessoas muito reais, com seus desejos, suas esperanças, seus sentimentos e suas necessidades”, comemorou nesta sexta o prefeito de Berlim, o social-democrata Michael Müller.

“Estamos felizes de acabar a discriminação do Estado contra gays e lésbicas neste domingo”, contou Jörg Steinert, responsável pela Associação de Gays e Lésbicas em Berlim.

Bode Mende (2º à dir.) e Karl Kreile (centro) brindam com suas testemunhas durante a primeira cerimônia de casamento gay na Alemanha, em Berlim. Foto: Odd Andersen/AFP.

Conquista política

Segundo pesquisas realizadas na Alemanha, antes da nova lei entrar em vigor, mais de 75% dos alemães são favoráveis ao casamento igualitário.

Contudo, a chanceler Angela Merkel adiou, durante muito tempo, este debate, para não criar conflitos com o setor mais conservador de seu grupo político, o Partido Democrata Cristão bávaro CSU, defensor ferrenho dos valores da família tradicional.

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A aproximação das eleições legislativas de setembro antecipou os fatos e, em junho, Merkel anunciou, para surpresa de todos, que queria reabrir o debate, e dias depois, os deputados votaram a favor da união homossexual, estimulados por grupos parlamentares de esquerda.

Apesar de Merkel ter votado contra, ela não barrou o debate sobre o texto do Parlamento e deu liberdade de voto a seus deputados, afastando um dos possíveis ataques que os social-democratas poderiam fazer a ela durante a campanha.

Com informações de O Globo | Fotos de capa: Axel Schmidt/Reuters

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