No último dia 15 de setembro, uma liminar de um juiz do Distrito Federal autorizou os psicólogos brasileiros a oferecerem tratamentos de “reversão sexual”. Há quase 30 anos a Organização Mundial de Saúde reconheceu que homossexualidade não é doença. No Brasil, desde 1999, o Conselho Federal de Psicologia diz que psicólogos não podem tratar a cura da homossexualidade.

Essa decisão de um magistrado causou uma grande revolta na população porque, hoje em dia, todo mundo entende que não é possível tratar a sexualidade de alguém. Muitos LGBTs indefesos, principalmente, adolescentes, são levados à tratamentos dolorosos por pais e familiares e acabam saindo desses tratamentos com chances ainda maiores de cometerem suicídio.

Se alguém procura um psicólogo por livre e espontânea vontade, por não se sentir bem com a sua sexualidade, os psicólogos devem promover a aceitação do paciente e explicá-lo que não é uma escolha, uma doença, um distúrbio ou algo do tipo.

Para a ciência, terapias que prometem mudar a orientação sexual dos pacientes, chamadas de “cura gay”, têm um nome: charlatanismo. Não há como se tratar a homossexualidade simplesmente porque el a não é uma doença nem um transtorno.

No cinema, vários filmes mostram como esse charlatanismo funciona e como os LGBT sofrem com tudo isso. Agora, imagine na vida real. É por isso que o Pink Popcorn fez uma lista com filmes que mostram esses supostos tratamentos de cura gay. Confira:

1. Boy Erased (2018)

As consequências da “cura gay” são tema de um filme de Hollywood que está em andamento e terá grandes estrelas do cinema. “Boy erased”, baseado no livro homônimo de Garrard Conley, que também servirá de consultor para a produção, será estrelado por Nicole Kidman e Russell Crowe.

Na trama, a homossexualidade de Jared (interpretado por Lucas Hedges, indicado ao Oscar por “Manchester à beira-mar”) é revelada aos seus pais (Nicole e Crowe), moradores de uma cidadezinha americana. Aos 19 anos, o garoto é forçado a fazer uma escolha: ingressar num programa religioso de “reversão sexual” ou ser excluído de sua comunidade.

O livro relata a história real de seu autor, que de fato foi submetido, pelos pais, a um “tratamento de conversão sexual”. Na obra, o escritor conta que passou meses recebendo o “tratamento”, que, segundo ele, costuma causar mais dor do que alívio aos homossexuais. O filme só deverá chegar os cinemas no fim de 2018 ou início de 2019. Enquanto isso não acontece, você pode ler o livro.

2. The Miseducation of Cameron Post (2018)

Outro filme que deve chegar em breve ao cinema é uma adaptação do best seller escrito por Emily M. Danforth. No drama, a órfã, Cameron Post (interpretada por Chloë Grace Moretz) é submetida à “cura gay” por uma tia conservadora. A jovem adolescente lésbica não faz ideia dos caminhos difíceis que estão por vir. Em um baile de formatura, ela foi pega beijando a rainha da festa por sua tia ultra-conservadora, e uma atitude drástica foi tomada: a garota foi enviada, contra sua vontade, para uma espécie de centro de recuperação para jovens gays. A filmagens começaram em novembro de 2016 e ainda não há data de estréia.

3. Fair Heaven (2016)

No filme, James, um jovem prodígio de piano, quer estudar música contra a vontade do pai. Ele volta para a fazenda onde morava quando criança depois de uma terapia para “curar” sua homossexualidade, para compensar seu pai Richard pelo passado.

Só que ele encontra-se dividido entre as expectativas de seu pai emocionalmente distante, as memórias de um passado e do seu ex-namorado Charlie, que ele tentou enterrar. Mas Charlie quer ajudá-lo a se afastar de suas novas crenças e expectativas da família, e seguir seus sonhos de estudar música.

Fair Heaven mostra, claramente, que os tratamentos não funcionam. James fica traumatizado e reprimido após sua suposta cura. De qualquer forma, os discursos do filme são sempre negativos e há muita homofobia exposta. Mas no final de tudo, percebemos que o amor sempre vence!

4. Fixing Frank (2002)

Um terapeuta reacionário, Dr. Arthur Apsey, está se especializando em transformar gays em heterossexuais. Para provar que isso não é possível, o Dr. Jonathon Baldwin, terapeuta rival de Apsey, pede ao seu namorado Frank que vá disfarçado de paciente às sessões de terapia de Apsey.

Mas Frank acaba sendo o centro de uma violenta batalha psicológica entre os dois doutores. Frank vai se render a terapia e isso vai fazer ele ficar cada vez mais confuso sobre sua sexualidade. É aí que percebemos que essas terapias não passam de charlatanismo e são falhas. Os pacientes ficam perturbados psicologicamente e mais confusos do que quando entraram no processo.

5. Save Me (2007)

E não importa o quanto um enredo para o cinema seja original, nenhum tem um final onde um personagem em curado da sua homossexualidade. Em Save Me, Mark é um homossexual viciado em drogas. Depois de ter uma overdose num quarto de hotel, Mark acorda num quarto da “Casa Gênesis”, onde foi internado pela própria família.

A instituição evangélica promete usar um programa de 12 passos para transformar o jovem em hétero. Na instituição Mark, conhece Sott (interpretado pelo gato Robert Gant de Queer as Folk), outro interno considerado ex-gay e que passa a ser mentor de Mark no programa de “recuperação”. Deste relacionamento surge um romance que prova mais uma vez que a cura gay não é possível.

Você pode conferir o resto da lista no vídeo do Pink Popcorn. Assista:

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