Por Danilo Motta*

O entrevistado de hoje é David Miranda, vereador do Rio de Janeiro pelo PSOL. Ele é candidato a deputado federal sob o número 5000. Conheça o candidato:

Por que quer ser deputado federal?

Decidi, junto com o meu mandato, ampliar o meu raio de atuação. Dedico meu trabalho na Câmara Municipal em defesa dos direitos humanos e da justiça social. Destaco também minha luta contra a LGBTfobia, o racismo e a criminalização da pobreza, e por garantias dos direitos dos servidores públicos. Mas há duas causas que para mim são muito gratas: a liberdade de expressão na internet e o direito à privacidade, um direito que todos nós temos e que nos está sendo arrancado, já que nossas vidas estão sendo invadidas por aqueles que dominam as redes. Esses enfrentamentos têm que ser feitos  nacionalmente. Sou casado com o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, e integrei a equipe de Glenn quando foram publicadas reportagens sobre a espionagem dos Estados Unidos direcionada a governos de vários países, denunciada por Edward Snowden, o analista de sistemas da agência ligada à CIA. Por esta atuação, fui detido pelo governo britânico de maneira ilegal e enquadrado na lei antiterror. Processei o Estado e venci. Desde então, atuo com os movimentos nacionais e internacionais pela Democratização da Mídia e da Informação.

Como avalia a importância de candidaturas LGBT?

A cada 19 horas é morta uma pessoa LGBT no Brasil. Há um crescente discurso de ódio no país vindo de uma parcela da população. Esses grupos LGBTfóbicos não têm mais vergonha de esconder suas intolerâncias e preconceitos. O retrocesso é muito grande. Um pastor neopentencostal, o deputado federal Marco Feliciano, ocupou o cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Ele já foi denunciado, inclusive via imprensa, por expulsar LGBTs de locais públicos em que estava presente e por declarações atacando homossexuais. Houve inúmeros protestos quando foi nomeado presidente da Comissão, mas, mesmo assim, ele se manteve no cargo. Para enfrentar situações como esta, é preciso ter mais deputados na Câmara Federal dispostos a fazer o combate a esses parlamentares fundamentalistas.

Quais projetos devem ser priorizados em um eventual mandato?

A violência contra os LGBTs é enorme e vem aumentando, mas a homofobia ou qualquer forma de LGBTfobia não é crime no Brasil. Não é crime porque o Projeto de Lei da Câmara (PLC 122/2006) que prevê a criminalização da homofobia foi arquivado definitivamente. Se eu for eleito deputado federal nesta eleição, vou me empenhar para retomar este debate e formular um novo projeto de lei com a atualização do debate feito pelo movimento LGBT brasileiro.

Como sua experiência na Câmara de Vereadores do Rio pode auxiliar em um eventual mandato na Câmara dos Deputados?

Na Câmara do Rio, apresentei vários projetos garantindo direitos LGBTs, mas apenas um deles foi aprovado e virou lei, o que assegura às travestis, mulheres transexuais e homens trans, mediante requerimento, o direito à escolha de utilização do nome social (aquele que se usa no dia a dia) nos atos e procedimentos da administração municipal, como os crachás de identificação. Entre os meus projetos de lei que eu queria muito aprovar está o que estabelece diretrizes para a criação de Centros de Referência para a Saúde de Travestis, Transexuais e Transgêneros, com a finalidade de prestar assistência médica, psicológica e jurídica a estes e suas famílias. Mas a Câmara do Rio é muito conservadora e atrasada, com pastores e evangélicos ligados ao atual prefeito Crivella, que se unem para impedir a aprovação de projetos que tratam da questão LGBT.

Você foi companheiro de bancada de Marielle Franco. Qual recado a execução da vereadora deixa para a sua militância?

Quem matou ou mandou matar Marielle quis calar a boca de todos os que lutam por Direitos Humanos em nosso estado.  Quis calar a voz da favela. Quis abafar o grito dos que defendem o direito à igualdade social de homens e mulheres em nosso estado. Quis gerar medo no PSOL. Quis calar uma parcela da população.  Marielle nasceu na Maré, como eu nasci no Jacarezinho. Somos de origem pobre e enfrentamos muitas adversidades para chegarmos até aqui. Sentávamos em cadeiras lado a lado no plenário da Câmara, onde sua energia de mulher batalhadora se manifestava de forma iluminada, mas muito enérgica. O que eles não esperavam é que Marielle virasse semente. Semente que está crescendo dentro de muitas mulheres que se tornaram mais guerreiras depois de sua morte.

Por que a escolha pelo PSOL?

Escolhi o PSOL porque é um partido que tem uma identidade muito forte com os trabalhadores e trabalhadoras e é o principal partido na atuação na defesa das pessoas LGBTs, dos negros e negras, das mulheres, dos que vivem nas favelas e nas periferias.  O PSOL está mobilizado permanentemente por melhores condições de vida para população oprimida. É um partido jovem e aguerrido. Identifiquei-me porque essa é a minha linha ideológica,  política e de vida.

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* Danilo Motta é jornalista e mestre em Literatura pela UFF. Nascido na serra fluminense, hoje vive em São Paulo.
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