Por Danilo Motta*

Como em 2016, decidi abrir as portas desta publicação para candidatos LGBTs que estão concorrendo nestas eleições. Aqui, candidatos LGBTs das mais diferentes orientações políticas poderão falar sobre suas propostas e o que defendem para seus estados e para o país.

Quem abre a série é Gleyk Silveira, presidente da UNALGBT em Minas Gerais. Ele é candidato a deputado estadual pelo PCdoB-MG e responde pelo número 65.600 nas urnas mineiras. Conheça o candidato:

Por que você quer ser deputado estadual?

Na realidade não foi uma decisão só minha sair candidato nestas eleições. A entidade que presido em MG [a UNALGBT] fez um manifesto para que eu saísse a este cargo, e pessoas do meu bairro e do Vale do Jequitinhonha, onde nasci, me despertaram para essa tarefa nada fácil que é levar para a população questões do nosso cotidiano e que são tão incompreendidas. Sempre digo que não é uma escolha pessoal para quem vive coletivamente.

Como avalia a importância de candidaturas LGBT?

As candidaturas de pessoas LGBTI+ são de extrema importância porque os/as ditos/as aliados/as não levam nossa pauta com a prioridade necessária. Podemos ver que aliados/as apresentam, em 4 anos, um ou dois projetos no máximo em prol da população — vide o Conselho Estadual LGBT de MG que não vai para frente por falta de apoiadores na ALMG — porque não dispensam tempo para fazer o “advocacy” para que seja aprovado ou colocado em pauta. Mas nunca me privo de chamar a atenção ao oportunismo das eleições. Ser LGBTI não te faz um defensor dos direitos e dignidade dessa população, mas quando chega no período eleitoral a orientação sexual e a identidade de gênero se tornam uma bandeira eleitoreira, para que esta parcela da população seja tocada. Por isso eu sempre pergunto: “o que o seu candidato/a fez pela população LGBTI+ nos últimos 4 anos?” Não acredite em palavras eleitoreiras.

Quais projetos devem ser priorizados em um eventual mandato?

Se faz urgente colocar em votção no plenário o “Conselho Estadual LGBTI”, mas para isso precisamos de alguém que pegue este boi pelo chifre. É necessário uma revisão da lei 14.170/02, que pune estabelecimentos contra o preconceito a LGBTI+, que encontra-se obsoleta. Precisamos divulgar essa lei e adequá-la à realidade do estado. Sabemos que em pleno 2018 muitos LGBTI+ são colocados/as para fora de casa por serem quem são. Por isso, precisamos de um fundo para uma casa de passagem com assistência psicossocial que auxilie essas pessoas.

Por que a escolha pelo PCdoB?

O PCdoB é um dos poucos partidos que ainda são progressistas no país. Isso pode ser verificado pelos projetos de lei apresentados por nossos parlamentares e pelo apoio dado por figuras do partido a esta pauta — como do nosso candidato a deputado federal Wadson Ribeiro, que insere casais LGBTI+ no projeto “Minha casa , minha vida”. São ações como esta que me fazem sair candidato pelo PCdoB. Isto além de nossa apoiadora histórica, a Jô Moraes.

Na sua opinião que a candidatura de Lula pode representar para as minorias?

Bem, Lula foi o primeiro Presidente a participar de um Congresso Nacional LGBTI+ em 2010 e isso abriu a mente de muito político que estava em cima do muro. Em torno do Lula se reúnem muitas candidaturas que nos defendem num cenário extremamente conservador e sem respeito algum para com a gente.

O que você acumulou desde sua última candidatura, em 2014

Foram muitos os aprendizados. Percebi que não podemos falar para dentro mais, como fazíamos. E que, para termos um lugar digno na sociedade, precisamos dialogar com ela. Fundando a entidade que presido pelo interior de Minas, notei que nossas discussões não chegam onde mais deveriam, e isso muitas vezes nos torna improdutivos. Aprendi que as discussões sobre LGBTI+ têm que ser feitas com quem nos odeia também, pois esta pessoa é fruto da ignorância e de um sistema extremamente excludente. Parafraseando o meu ídolo Harvey Milk, “precisamos mostrar ao mundo quem somos e quantos somos, somente assim seremos respeitados”. Para isso, peço o voto dos LGBTI+ e de toda e qualquer pessoa que preserve pela igualdade entre os seres humanos.

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*Danilo Motta é jornalista e mestre em Literatura pela UFF. Nascido na serra fluminense, hoje vive em São Paulo.
** Quer participar da série ou indicar o seu candidato?! Entre em contato pelo e-mail nossoamorexiste@gmail.com

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