Nesta última quinta-feira (22/03) um tribunal de apelação no Quênia decidiu pela ilegalidade de exames anais forçados para verificar a homossexualidade de homens. A decisão anterior que havia aprovado o ‘procedimento’ foi considerada inconstitucional e contra os direitos humanos.

No Quênia, relações sexuais homossexuais podem ser punidas com até 14 anos de prisão. As comunidades gay, lésbica e transgênero no país do leste da África denunciam abusos, em alguns casos, com atos de violência. Os gays são com frequência rejeitados por suas famílias e comunidades e sofrem discriminação ao tentar encontrar trabalho ou alugar um imóvel.

No ano passado a Associação Médica do país entrou com uma condenação contra o procedimento, considerado uma prática de tortura.

“A decisão é um enorme passo não apenas para a preservação da dignidade dos homossexuais que eram sujeitos aos indignos exames anais, mas também do Estado de direito no Quênia”, disse Eric Gitari, diretor da Comissão Nacional dos Direitos Humanos de Gays e Lésbicas.

“Os exames violadores, que incluíam deitar [os suspeitos] com as pernas para cima numa posição humilhante e forçar instrumentos no reto, são amplamente reconhecidos como não tendo mérito médico”, disse a Comissão em comunicado. A entidade representou dois homens que foram presos em 2015 sob suspeita de serem homossexuais e que foram sujeitos aos exames anais, além de testes de HIV forçados.

A Human Rights Watch, organização de defesa dos direitos humanos disse que o Quênia é apenas um entre ao menos oito países que realizam exames anais forçados desde 2010, juntamente com Camarões, Egito, Líbano, Tunísia, Turcomenistão, Uganda e Zâmbia. Gitari acredita que a decisão da corte queniana deverá ter impacto também nesses países.

Com informações de Deutsche Welle.


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