É comum que oponentes de casais homoafetivos argumentem que crianças criadas por homossexuais estão em algum tipo de desvantagem, mas o que as pesquisas científicas realizadas até hoje demonstram é que isso simplesmente não é verdade.

Muitas dessas pessoas se apoiam em achismos e até mesmo em desinformação para propagar preconceito. O que há, em muitos casos, é o estigma que gays e lésbicas sofrem na sociedade e que acaba por afetar as crianças, chegando até mesmo a discriminá-las no contexto escolar, por exemplo.

Pesquisas longitudinais (que acompanham o desenvolvimento dos participantes) revelam que crianças de pais gays e lésbicas estão tendo um crescimento saudável. Uma meta-análise da Universidade do Colorado concluiu que filhos de pais do mesmo sexo não experimentam nenhuma diferença em comparação com crianças de outras configurações paternais.

Outro estudo da Universidade da Califórnia analisou o desenvolvimento de crianças adotadas nos Estados Unidos, afirmando que a sexualidade dos pais praticamente não interferiu no processo. O que foi corroborado pelos trabalhos internacional de pesquisadores dos EUA e da Holanda, onde também não encontraram diferença qualitativas entre crianças criadas por pessoas do mesmo sexo ou de sexo diferente.

O tema do bem-estar da criança de pais do mesmo sexo é muito complexo, obviamente, como qualquer outro tema sociológico e o tamanho das amostras em estudos feitos até hoje tem sido no geral pequeno, o que causa problemas nas conclusões.

O cenário das pesquisas psicológicas sobre o tema têm aumentado e já sendo possível encontrar censos em larga escala, coletando informações detalhadas sobre a orientação sexual dos participantes, o que tem facilitado os pesquisadores analisem o bem-estar emocional e psicológico de famílias a nível nacional. É importante lembrar que as questões ligadas a sexualidade passaram a fazer parte da agenda cultural a pouquíssimo tempo, até então, viviam como um tabu, o assunto não comentado, principalmente em família.

Os últimos estudos

A pesquisa publicada na revista científica Child Development é a mais recente e dá um amplo panorama sobre o tema, sobre os estudos anteriores e chama a atenção para a urgência de se trabalhar de forma educativa contra o preconceito com pessoas LGBTQ e suas relações familiares.

O estudo incluiu pesquisadores da Universidade da Califórnia, da Universidade de San Diego (ambas nos EUA) e do Instituto Karolinska (Suécia), que comparou o bem-estar de crianças de pais homo e heterossexuais utilizando dados do Inquérito Nacional de Intervenção de Saúde de 2013-2015 dos EUA, compilando informações sobre as dificuldades emocionais e de saúde mental de mais de 21.000 crianças com idades entre 4 a 17 anos no país.

Embora o estudo não tenha mostrado qualquer indicação de maiores dificuldades emocionais ou psicológicas entre crianças de pais homossexuais, os cientistas de fato descobriram que filhos com pais bissexuais tinham pontuações ligeiramente piores.

Uma causa provável para este dado tornou-se logo clara: uma vez que os pesquisadores levaram em conta o nível de angústia psicológica dos pais, as diferenças desapareceram.

Em outras palavras, qualquer variação potencial no bem-estar mental das crianças provavelmente foi resultado dos desafios que os pais enfrentam em uma sociedade que estigmatiza sua orientação sexual e seus relacionamentos, e não como uma consequência direta de suas sexualidades.

“À medida que as famílias de lésbicas, gays e bissexuais se tornam mais visíveis, os resultados reforçam estudos anteriores revelando que as crianças criadas nessas famílias têm um bem-estar psicológico comparável com crianças criadas por pais heterossexuais”, resumiu um dos pesquisadores do estudo, Jerel Calzo, da Universidade de San Diego.

Esses resultados também indicam a necessidade de um investimento governamental em estratégias para prevenir a discriminação baseada na orientação sexual, e apoiar pais que possam sofrer com esse estresse. Na verdade, uma sociedade saudável e realmente preocupada com o bem-estar das crianças deve se tornar mais inclusiva e plural.

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