Por vezes as mulheres lésbicas são invisibilizadas. Seja com a negação de direitos, com a privação dos espaços sociais e de poder e no esvaziamento de sua história. Muitas delas precisaram ocultar sua sexualidade para poder ascender em suas profissões, dentre outras violações.

Por isso, depois da nossa lista com as mulheres lésbicas da literatura, selecionamos casais lésbicos que fizeram a diferença e marcaram para sempre, seus nomes, sentimentos e lutas, na história. Confira:

Rebecca Perot e Pastora Rebecca Cox Jackson (1830-1871)

Rebecca Cox Jackson (foto) foi criada em uma família Episcopal Metodista Africana, mas se separou da igreja patriarcal para iniciar sua própria pregação religiosa. Ao se divorciar do marido após o sucesso de sua pregação, onde viajou pela Pensilvânia e Nova Inglaterra, acabou conhecendo um grupo liderado por mulheres Shakers (seita religiosa Sociedade Unida dos Crentes na Segunda Aparição de Cristo), onde encontrou Rebecca Perot, por quem se apaixonou.

Juntas fundaram a seita Watervliet Shakers, na Filadélfia. As duas tinham visões místicas com com matizes feministas e homoeróticas e combinavam dentro da doutrina as orações negras com a teologia Shaker. Quando Jackson morreu em 1871, Perot renomeou-se “mãe Rebecca Jackson Jr” e assumiu a família Filadélfia.

Sallie Holley e Caroline Putnam (1848 – 1917)

Depois de se encontrarem na Faculdade de Oberlin, Sallie e Caroline se tornaram agentes da Sociedade Americana Anti-Escravidão, e viajaram pelo circuito de conferências abolicionistas, muitas vezes junto com a lendária abolicionista e ativista pelos direitos das mulheres Sojourner Truth (1797-1833).

Após a Guerra Civil, Sallie adquiriu uma propriedade e construiu junto com Caroline, a Escola Holley, que se tornou a primeira casa de assentamento dos Estados Unidos, e se dedicaram na luta do direito dos negros ao voto, mesmo  quando as mulheres brancas ainda não podiam votar.

Sallie morreu em 1893 e Caroline em 1917, quando então a escola foi designada para um conselho de curadores totalmente negro e continuou em funcionamento por várias décadas.

Harriet E. Giles e Sophia B. Packard (1855-1891)

Harriet foi orientanda de Shopia por volta de 1850, quando estudava na Academia Nova Salem, em Massachusetts. Depois de se apaixonarem, seguiram para Atlanta para iniciar uma escola para mulheres negras recém libertadas da escravidão.

Sophia foi a primeira presidente da escola Seminário Batista Feminino de Atlanta, em 1888, hoje Faculdade de Spelman. E Harriet assumiu a escola após a morte de Sophia em 1891.

Ellen Gates Starr e Jane Addams (1877-1892)

Ellen Gates Starr conheceu Jane Addams no Seminário Feminino Rockford em 1877 e foi através de seu relacionamento que Jane teve a confiança necessária para embarcar no projeto Hull House em Chicago.

Hull House foi parte de um movimento para proporcionar oportunidades sociais e educacionais para as mulheres da classe trabalhadora, a maioria recém imigrantes, oferecendo aulas de literatura e história, hospedando concertos públicos, fornecendo a assistência à infância e dando palestras livres.

As duas eram responsáveis pelas aulas, faziam plantão como parteiras e resgatavam vítimas de violência doméstica. Elas também foram à luta pelas Reformas Legislativas, que agora são vistas como os primeiros modelos de “bem-estar social”.

Mabel Reed e Mary Ellicott Arnold (1894-1963)

Mabel e Mary viveram juntas por cerca de 69 anos, tendo se encontrado na infância em Nova Jersey, e se tornaram proeminentes organizadoras urbanas, filantropas e ativistas sociais, conhecidas por incluir as mulheres nas decisões de moradia dos maridos e por serem despreocupadas com as críticas por seus comportamentos não convencionais.

Elas se dedicaram à City and Suburban Homes Company, que forneceu soluções de habitação para os trabalhadores pobres.

Frances Witherspoon e Tracy D. Mygatt (1908-1973)

Frances e Tracy se formaram em 1908 e se comprometeram inteiramente com a paz mundial, o pacifismo, os direitos das mulheres e os direitos civis. Mas o pacifismo sempre foi a paixão número um.

Durante a Primeira Guerra Mundial, elas defenderam as objeções de consciência: Tracy ajudou a organizar a Liga Anti-Alistamento e Frances fundou a primeira organização dos Estados Unidos a apoiar os direitos dos objetores, bem como aqueles perseguidos pela liberdade de expressão, o Bureau of Legal Advice.

O BLA é considerado o precursor da American Civil Liberties Union, fundada pouco depois, e que trabalhou em conjunto com o BLA para causas comuns. Juntas, filiaram-se ao Partido Socialista em Nova York quando se mudaram para lá em 1913, e ajudaram a organizar abrigos e programas de distribuição de alimentos nas igrejas para os sem-teto.

Viveram juntas por 65 anos, morreram poucas semanas uma da outra.

Ethel Collins Dunham e Martha May Eliot (1910-1969)

Martha foi uma jovem obstinada que se recusou a casar. Conheceu Ethel, que se sentia sem inspiração pelo estilo de vida de socialite e decidiram estudar medicina juntas. Depois de se formarem pela Universidade Johns Hopkins, foram ativas no movimento sufragista, em defesa dos direitos das mulheres.

Martha assumiu um estudo de raquitismo entre as crianças de baixa renda, o que lançou sua carreira em pediatria comunitária e, em seguida, se tornou diretora do Departamento de Higiene Infantil do Children’s Bureau. Ethel se tornou uma das primeiras professoras na Faculdade de Medicina de Yale.

O presidente Truman chegou a nomear Martha como chefe do Children’s Bureau e Ethel tornou-se o primeiro membro feminino da Sociedade Americana de Pediatria. Embora se separassem constantemente por causa de suas realizações, seu relacionamento lhes deu sustento para encarar os desafios da vida juntas.

Florence Yoch and Lucile Council (1921-1964)

Lucile começou a trabalhar como aprendiz de Florence em sua empresa e, em logo se tornaram parcerias, e não só nos negócios. Elas chegaram a ser consideradas as melhores designers de jardins e arquitetas paisagísticas da Califórnia.

Juntas projetaram propriedades, parques, cenários de filmes e jardins botânicos. O livro Landscaping the American dream: the gardens and film sets of Florence Yoch, 1890-1972, documenta os trabalhos das duas paisagistas.

Ruth Ellis e Ceceline “Babe” Franklin (1936 – 1971)

As  duas se conheceram em Detroit, onde lançaram a Ellis e Franklin Printing, o que fez de Ellis a primeira mulher na cidade a possuir seu próprio negócio de impressão.

Compraram em 1946, uma casa que ficou conhecida como o Gay Spot (algo como Ponto Gay), um local de encontro para a comunidade negra gay e lésbica local. Elas também hospedaram moradores gays recém-chegados do sul e ajudaram jovens em fase de faculdade.

Desde 1999, o Centro Ruth Ellis em Detroit, é um local de refúgio para a juventude LGBT desabrigada.

Mabel Hampton e Lilian Foster (1932-1978)

Mabel Hampton foi dançarina de estrelas como Moms Mabley e Gladys Bently e viveu abertamente como lésbica. Com o tempo, desistiu da dança e se tornou empregada doméstica da escritora premiada Joan Nestle.

Conheceu Lillian Foster em 1932, e se tornaram inseparáveis ​​até a morte de Lilian, vivendo juntas na rua 169 no Bronx.

Ativas no movimento dos direitos dos homossexuais, dirigiram seu próprio negócio de lavanderia e trabalharam juntas para coletar e organizar uma grande quantidade de documentos, recortes de jornais, fotografias e livros com temática lésbica.

Quando Joan fundou o Lesbian Herstory Archives em 1974, Mabel se juntou a ela como membro fundadora e doou toda a sua coleção de material, como recurso para a comunidade gay e lésbica.

Com informações da Autostraddle.com.

O que você achou da nossa lista? Tem algum casal que você gostaria que estivesse aqui?! Compartilhe conosco.

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