Começa a aumentar pelas redes sociais o número de pessoas LGBTs motivados a boicotar a Riachuelo, após nota publicada pela Coluna do Estadão anunciando a aproximação do seu presidente, Flávio Rocha, com a bancada evangélica e católica visando unir esforços para defender as pautas das igrejas, entre elas combate ao casamento gay, aborto e o que chamam de “ideologia de gênero”.

Na página oficial da marca no Facebook, internautas registraram o descontentamento com a notícia, e poucas delas são respondidas pela equipe de social media da loja. Muitos passaram então a dar avaliação negativa na página, que já está com média menor que 3.

Vídeos de usuários quebrando os cartões vem viralizando também pelo Facebook e Stories e mais relatos e declaração de LGBTs estão sendo compartilhadas pelas redes sociais, estimulando que outros clientes façam o mesmo.

“Não quero ter mais nenhum tipo de relação direta ou um indireta com essa loja hipócrita que não me aceita, mas aceita de braços abertos meu dinheiro”, escreveu Elton Canuto, na página da loja.

Satisfação

O ativista Toni Reis, diretor executivo do grupo Dignidade, divulgou uma carta aberta à Riachuelo pedindo uma posição da loja quanto às reportagens. “Chegou através das mídias sociais uma reportagem que o dono da Riachuelo, Flávio Rocha, apoia a união das igrejas para lutar contra a comunidade LGBT, inclusive colocando-se contra o ensino nas escolas do respeito às pessoas LGBTI”.

“Tanto a Aliança Nacional LGBTI quanto o Grupo Grupo Dignidade, antes de tomar qualquer atitude, como manifestações na frente das lojas Riachuelo, campanhas, cartas de repúdio e afins, gostaríamos que fosse confirmada esta informação”, questiona.

Ele ainda diz ser cliente da loja e que se sente menosprezado e discriminado com a notícia. “Salientamos que esta notícia provocou indignação e nossos/as afiliados/as estão pedindo a realização de manifestações em todo o Brasil e aqui em Curitiba”, finaliza.

Em resposta, a Riachuelo diz que Rocha não tem nada contra os gays. “O nosso presidente, Flávio Rocha, não apoia qualquer tipo de preconceito. Ele é a favor de toda e qualquer configuração de família e acredita na felicidade das pessoas independente da sua orientação sexual.”

Ligação com a bancada da bíblia

Flávio Rocha já foi deputado federal pelo Rio Grande do Norte, entre 1987 e 1995, pelo PFL (hoje DEM). Em 2017, o Movimento Brasil Livre (MBL) cogitou apoiar seu nome para o governo de São Paulo em 2018. Ele foi um dos empresários apoiadores do golpe contra Dilma Rousseff, e apoiou publicamente a reforma trabalhista.

Ligado à igreja Sara Nossa Terra, defende uma ampliação política para eleger deputados conservadores nas próximas eleições, em especial a bancada da bíblia, fortalecendo a ideia de um acordo entre evangélicos e católicos para conseguir eleger 200 deputados para o Congresso. Atualmente, a bancada evangélica tem 97 parlamentares e os católicos contam 48 deputados.

De acordo com o dono da Riachuelo, o “o economês conserta o País, mas é o discurso sobre os costumes é que levará o candidato a ganhar a eleição presidencial deste ano”. Em entrevista ao blog Coluna do Estadão, disse ainda não descartar a ideia de  concorrer à presidência.

Dia dos namorados hétero

No ano passado, a Riachuelo causou polêmica ao excluir de sua campanha para o dia dos namorados e das namoradas casais formados por gays e lésbicas. No comercial de 30 segundos, intitulado Loucos de Amor, a loja traz vários casais dançando e trocando beijos, ao som de “Essa Mina é Louca”, consagrada na voz de Anitta (considerada uma das musas do público gay).

Na época, LGBTs chegaram a levantar um boicote e comparavam a marca com outros grandes nomes internacionais. “Justo no mês do orgulho e em que a Google homenageou o criador da bandeira do orgulho e foi destaque, temos aqui um comercial onde falta a representatividade”,comentou um usuário. A empresa não se pronunciou à respeito.

Com informações do Estadão, Brasil 247 e Gazeta do Povo.


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