Segundo a pesquisa “Juventudes na Escola, Sentidos e Buscas: Por que frequentam?”, realizada em vários estados do país, um dos principais preconceitos sofridos na escola é a LGBTfobia, em especial a transfobia e a homofobia. “O que percebemos é que esse número é tão alto quanto na primeira pesquisa, ‘Juventude e Sexualidade’ [de 2004]”, diz a socióloga Miriam Abramovay, coordenadora da pesquisa.

Mais 8 mil estudantes na faixa de 15 a 29 anos foram ouvidos. Entre os entrevistados, 7,1% não queria ter travestis como colegas de classe. Homossexuais (5,3%), transexuais (4,4%) e transgêneros (2,5%) também aparecem na lista dos rejeitados por parte dos jovens ouvidos na pesquisa.

No total, 19,3% dos alunos de escola pública não gostariam de ter um colega de classe travesti, homossexual, transexual ou transgênero. O grupo só fica atrás de bagunceiros (41,4%) e ‘puxa-saco’ dos professores (27,8%).

O levantamento foi realizado com o apoio da Flacso-Brasil (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais), OEI (Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura) e do MEC (Ministério da Educação).

Quando comparadas as respostas de homens e mulheres, os primeiros têm mais preconceito contra travestis, homossexuais, transexuais e transgêneros. “É impressionante, a questão da homofobia aparece de uma forma muito contundente no número de jovens que não queria ter colegas homossexuais”, diz Miriam.

Elas, por exemplo, preferem ter travestis em sala de aula do que egressos de unidades prisionais. Entre os homens esse número se inverte: rejeitam mais colegas travestis (11,2%) do que ex-presidiários (4,4%).

“Isso aparece de forma de muito contundente e a escola não sabe tratar. Muitas vezes a escola nem fica sabendo, eles nem se queixam, não têm onde se queixar. E todas essas questões prejudicam aprendizagem, prejudicam os alunos”, afirma a socióloga.

A pesquisa também mostra que 52,5% dos jovens ouvidos são contra o casamento de pessoas do mesmo sexo. “Todas as questões que envolvem drogas, pena de morte, relacionadas à maioridade penal, em todos esses temas os meninos são muito mais conservadores”, afirma Abramovay.


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